Uma nova pesquisa eleitoral realizada em Alagoas trouxe números que chamaram a atenção no cenário da eleição presidencial de 2026. O levantamento mais recente do instituto Real Time Big Data, divulgado em 25 de setembro, mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 51% das intenções de voto no cenário estimulado de primeiro turno entre os eleitores entrevistados no estado.
O levantamento também testou outros nomes que aparecem no cenário presidencial. O senador Flávio Bolsonaro (PL) registrou 33%, enquanto o escritor Augusto Cury (Avante) apareceu com 4%. Renan Santos (Missão) teve 3%, Ronaldo Caiado (PSD) marcou 2% e Romeu Zema (Novo) registrou 1%.
Os demais candidatos apresentados na pesquisa, somados, chegaram a 1%. Além disso, 3% dos entrevistados declararam voto branco ou nulo e outros 2% não souberam ou não responderam.

O que significa esse número?
O percentual de 51% representa a intenção de voto declarada pelos entrevistados dentro do cenário apresentado pelo instituto. Isso não significa que 51% de toda a população de Alagoas tenha declarado apoio ao presidente.
Esse detalhe é importante porque uma pesquisa eleitoral trabalha com uma amostra de eleitores, e não entrevista toda a população do estado.
Na pesquisa mais recente, foram entrevistados 1.600 eleitores de Alagoas entre os dias 21 e 24 de setembro de 2026. A margem de erro informada pelo instituto é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-07734/2026.
E no segundo turno?
O levantamento também apresentou um cenário de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Nesse confronto específico, Lula aparece com 53% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 38%.
Os votos brancos e nulos correspondem a 5%, enquanto 4% dos entrevistados não souberam ou não responderam.
É importante observar que uma simulação de segundo turno é diferente da pergunta sobre o primeiro turno. Por isso, os percentuais não devem ser simplesmente somados ou comparados como se fossem a mesma pergunta.
Os números mudaram ao longo dos meses?
Sim. Pesquisas anteriores do mesmo instituto apresentaram resultados diferentes.
Em uma pesquisa divulgada em julho, por exemplo, Lula aparecia com 51% no primeiro turno em Alagoas, enquanto Flávio Bolsonaro tinha 30%. Naquele levantamento foram entrevistadas 1.600 pessoas nos dias 29 e 30 de junho, também com margem de erro de 2 pontos percentuais.
Já em setembro, uma rodada anterior do Real Time Big Data havia registrado Lula com 50% e Flávio Bolsonaro com 31% no primeiro turno. Na simulação de segundo turno daquela pesquisa, Lula tinha 55% contra 37% de Flávio Bolsonaro.
Esses números mostram por que é necessário observar a data de cada pesquisa antes de fazer qualquer comparação.
Por que pesquisas diferentes podem apresentar números diferentes?
É comum que pesquisas eleitorais apresentem resultados diferentes. Isso pode acontecer por vários motivos.
Entre eles estão a data em que as entrevistas foram realizadas, o tamanho da amostra, a metodologia utilizada, a forma de recrutamento dos entrevistados, o questionário e os candidatos apresentados em cada cenário.
Além disso, uma pesquisa representa o momento em que os entrevistados foram consultados. A opinião dos eleitores pode mudar ao longo do tempo conforme novos acontecimentos, campanhas, debates, notícias e outros fatores entram no cenário eleitoral.
Por isso, uma pesquisa isolada não deve ser interpretada como uma fotografia permanente da opinião pública.
O que chama atenção especificamente em Alagoas?
Alagoas possui aproximadamente 2 milhões de eleitores e tem importância política dentro da região Nordeste. Por isso, levantamentos realizados especificamente no estado ajudam a mostrar como o eleitorado alagoano está respondendo aos cenários apresentados pelas pesquisas.
No levantamento divulgado em setembro, a diferença entre Lula e Flávio Bolsonaro no primeiro turno foi de 18 pontos percentuais: 51% contra 33%.
No segundo turno testado pelo instituto, a diferença registrada foi de 15 pontos percentuais: 53% contra 38%.
Esses percentuais, entretanto, representam apenas os resultados daquele levantamento e daquele período específico.
Um detalhe importante: pesquisa não é resultado da eleição
Um dos principais cuidados ao ler pesquisas eleitorais é não confundir intenção de voto com resultado eleitoral.
Pesquisa mostra como os entrevistados responderam no período em que foram consultados. O resultado oficial de uma eleição só é conhecido depois da votação e da apuração dos votos pela Justiça Eleitoral.
Também é importante observar a margem de erro. No levantamento mais recente do Real Time Big Data em Alagoas, ela é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Isso significa que os números apresentados devem ser interpretados considerando essa margem e a metodologia utilizada.
Curiosidade: os números podem mudar rapidamente
Outro ponto interessante é comparar levantamentos feitos em períodos diferentes.
Em junho, o Real Time Big Data encontrou Lula com 51% e Flávio Bolsonaro com 30% no primeiro turno em Alagoas. Em setembro, o instituto registrou 51% para Lula e 33% para Flávio Bolsonaro.
Embora o percentual de Lula tenha permanecido numericamente igual nesses dois levantamentos, o número registrado para Flávio Bolsonaro foi diferente. Como as pesquisas foram realizadas em períodos distintos, elas representam momentos diferentes do cenário eleitoral.
Afinal, de onde veio a ideia dos “70%”?
É importante fazer essa distinção porque números arredondados ou publicados nas redes sociais podem acabar sendo compartilhados fora do contexto original.
A pesquisa mais recente consultada não aponta 70% para Lula em Alagoas. O número encontrado no primeiro turno é 51%, enquanto o cenário de segundo turno apresenta 53%.
Portanto, para uma publicação informativa, é mais correto utilizar os números acompanhados da data, instituto, quantidade de entrevistados e margem de erro.
Isso ajuda o leitor a entender exatamente de onde vieram os dados e evita transformar uma informação de pesquisa em uma afirmação diferente daquela apresentada pelo levantamento.
Como acompanhar novas pesquisas?
Com a aproximação da eleição, novas pesquisas podem ser divulgadas e os percentuais podem sofrer alterações.
Por isso, quem acompanha o cenário eleitoral deve observar principalmente:
- a data em que a pesquisa foi realizada;
- o instituto responsável;
- quantas pessoas foram entrevistadas;
- a margem de erro;
- o nível de confiança;
- o cenário eleitoral pesquisado;
- o número de registro no TSE;
- e se os números correspondem ao primeiro ou ao segundo turno.
Essas informações permitem uma leitura mais correta dos dados e ajudam a separar pesquisas registradas de números que circulam sem fonte nas redes sociais.
Resumo dos números mais recentes em Alagoas
Primeiro turno:
- Lula (PT): 51%
- Flávio Bolsonaro (PL): 33%
- Augusto Cury (Avante): 4%
- Renan Santos (Missão): 3%
- Ronaldo Caiado (PSD): 2%
- Romeu Zema (Novo): 1%
- Outros: 1%
- Branco/nulo: 3%
- Não sabe/não respondeu: 2%
Segundo turno testado:
- Lula (PT): 53%
- Flávio Bolsonaro (PL): 38%
- Branco/nulo: 5%
- Não sabe/não respondeu: 4%
Fonte: Real Time Big Data, pesquisa realizada entre 21 e 24 de setembro de 2026, com 1.600 eleitores de Alagoas e margem de erro de 2 pontos percentuais. Registro TSE: BR-07734/2026.
Conclusão
Os números mais recentes mostram um cenário eleitoral específico entre os eleitores entrevistados em Alagoas: Lula aparece com 51% no cenário de primeiro turno testado e 53% em uma simulação de segundo turno contra Flávio Bolsonaro.
Mas os números devem ser lidos dentro do contexto da pesquisa. Eles representam uma amostra de eleitores entrevistados em uma determinada data e estão sujeitos à margem de erro informada pelo instituto.
À medida que novas pesquisas forem divulgadas, os percentuais poderão ser comparados para acompanhar as mudanças no cenário eleitoral de Alagoas e do Brasil.
Informação bem apurada não precisa de exagero: data, números, metodologia e fonte são o que dão credibilidade à notícia.